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Compartilhando um lindo depoimento

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Foto de Eliza Carneiro

Tive o privilégio e a honra de ser convidada para participar das comemorações do aniversário de Fátima Lee, e para focalizar uma roda de danças circulares. Compartilho aqui o lindo depoimento que ela publicou no blog do seu Espaço Matrix. Gratidão pelas conexões criadas pela vida!  Visite o blog do Espaço Matrix  para ler a postagem original.

A Bênção do COMPARTILHAR

Quando compartilhamos com o mundo, distribuindo a essência do que trazemos de melhor dentro de nós, uma chuva de flores retorna abençoando o nosso viver. E, quanto mais compartilhamos, mais preenchidos de alegria e felicidade nos tornamos.
Há alguns dias, na celebração de meus 50 anos com parceiros queridos que compartilham seus lindos trabalhos no Matrix, fui abençoada com uma dessas chuvas de flores!
Numa linda roda que formamos, sob a condução delicada e amorosa de Angelica Rente, nossa mais recente parceira nas Danças Circulares, recebi de cada parceiro presente, a essência do que cada um trazia de melhor, representada pelas cartas do “Oráculo da Iluminação”*, num breve ritual que antecedeu a tocante dança sob o mantra tibetano “Flower of Compassion”**, focalizada lindamente por Angelica.
Esse ‘bouquet’ de flores  que agora compartilho com vocês, continha no simbolismo das cartas do Oráculo, a pura Essência: da Ordem, da Vitalidade, da Entrega, do Abridor de Caminhos, do Poder da Palavra, da Harmonia, do Amor Divino, da Fraternidade, da Cura, do Amor Humano, da Visão, da Música, da Pureza, da Liberdade, dos Sonhos, da Sustentação e da Coragem – oferecida por cada parceiro presente na roda e, acolhida profundamente por meu coração, que o traduziu na seguinte mensagem, pleno de Gratidão.
“Que uma nova ORDEM regida pela PUREZA da ENTREGA nos ABRA CAMINHOS para manifestarmos a HARMONIA através da expressão do AMOR DIVINO que se revela em AMOR HUMANO. Onde a CURA se manifesta na plataforma física, ao reconhecermos a Essência da Perfeição que promove a nossa SUSTENTAÇÃO nessa dimensionalidade.
Abrem-se as portas para uma nova VITALIDADE, onde os SONHOS mais sublimes manifestam-se em LIBERDADE de concretização, através da VISÃO além da forma.
A CORAGEM nos impulsiona a vivermos a verdadeira FRATERNIDADE na Terra, onde a nossa MÚSICA fundamental seja revelada pelo PODER DA PALAVRA qualificada que a  tudo transforma em Vida, Luz e Amor.”
O efeito dessa linda cerimônia ainda reverbera dentro de mim, no simbolismo inspirador de cada passagem compartilhada:
No laço das mãos, o equilíbrio entre o dar e receber – o compartilhar do Coração;
No olhar consciente nos olhos dos amigos da roda, o reconhecimento da alma, a percepção da energia do círculo – a Unidade;
Nas mãos em prece – Reverência à Vida, a toda vida.
Amigos de todos os tempos, dedico minha profunda Gratidão por suas Presenças em meu viver compartilhando suas Luzes, Cores e Flores que agora retornam em lindas bênçãos a cada um de vocês!
Namastê.
**Mantra tibetano gravado por Margot Reisinger e seu projeto Existence, no cd Free Tibet, com coreografia de Samuel Souza de Paula.
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Mandalas

 

Mandala Árvore

Por Cathy Malchiodi, publicado originalmente em http://www.psychologytoday.com/blog/the-healing-arts/201003/cool-art-therapy-intervention-6-mandala-drawing
Tradução: Maria Angelica Rente

Nós, humanos, sempre tivemos fascinação pelo círculo. Temos contato com ele através da natureza – na espiral da Via Láctea, nas órbitas dos planetas, e nos ciclos da vida em si. Quando crianças, descobrimos que poderíamos usar lápis de cor pra fazer formas circulares no papel; é um estágio universal do desenvolvimento artístico que toda criança normal no mundo vivencia. De fato, é o primeiro grande marco na produção de imagens e, por isso, o desenho infantil de um círculo pode ser uma das mais primitivas representações do self.
Costumamos nos referir às formas circulares como mandalas, palavra em sânscrito que significa “círculo sagrado”. Por milhares de anos a criação de desenhos circulares, frequentemente geométricos, tem feito parte de práticas espirituais ao redor do mundo e quase todas as culturas reverenciaram o poder do círculo. As culturas orientais utilizam mandalas específicas para meditação há muitos séculos; a mandala budista tibetana Kalachakra, também conhecida como Roda do Tempo, é provavelmente uma das mais famosas, e ilustra simbolicamente a estrutura inteira do universo. Formas circulares também são encontradas no monumento pré-histórico de Stonehenge , na Inglaterra, e no labirinto de século 13 que se encontra no chão da Catedral de Chartres, na França. Pessoas no caminho da espiritualidade sempre criaram mandalas para entrar em contato com o sagrado através de imagens, e evocaram o círculo em rituais e na produção de arte com o propósito de transcendência, completude e bem estar.
Carl Gustav Jung introduziu o conceito das mandalas na cultura ocidental, e acreditava que esse símbolo representa a personalidade total, ou seja, o Self. Jung observou a criação espontânea de mandalas em seus pacientes e em sua própria experiência pessoal, e notou que a aparição súbita destas figuras em sonhos ou em forma de arte normalmente era um sinal de movimento em direção a um maior auto-conhecimento. De 1916 até 1920 Jung criou desenhos e pinturas de mandalas que sentia corresponderem à sua situação interior no momento da criação delas. Ele acreditava que as mandalas denotavam uma unificação dos opostos, serviam como expressão do self e representavam a somatória de quem nós somos.
A arteterapeuta Joan Kellogg passou grande parte de sua vida desenvolvendo um sistema de compreensão da sabedoria da mandala, que ela denominava de “Grande Círculo”. Em sua teoria sobre padrões, forma e cores em mandalas, Kellogg integrou parte das descobertas de Jung e sua própria pesquisa, que durou várias décadas. Em particular, ela afirmava que nossa atração por certas formas e configurações encontradas em mandalas dá indícios de nossas condições físicas, emocionais e espirituais em determinado momento. Kellogg também desenvolveu uma série de cartões, cada um com um desenho de mandala diferente, representando traços de caráter, relacionamento interpessoal, aspirações e o inconsciente, sempre mutáveis dentro do círculo da vida representado pela Grande Roda da Mandala.
Os conceitos de Kellogg deram origem a um sistema inteiro para análise de mandalas, com a finalidade de avaliar tudo, desde a personalidade de um indivíduo até sua saúde física.  Como psicóloga pesquisadora, não posso afirmar que existe pesquisa o suficiente para fundamentar a interpretação através do uso desta fórmula. A idéia de interpretar símbolos encontrados em mandalas intriga muitos arteterapeutas e analistas junguianos, que enxergam significados nas imagens. Mas, para mim, o poder evocativo e promotor de saúde da mandala significa muito mais do que apenas procurar símbolos. É, na verdade, o processo criativo de confecção de mandalas que nos auxilia a revisitar a experiência universal do círculo e, como Jung descobriu, nos auxilia a vivenciar e refletir sobre a essência do que somos no aqui e agora.
De acordo com Jung, as mandalas simbolizam “um refúgio seguro de reconciliação e inteireza interiores”. Elas têm o potencial de trazer à tona algo universal dentro de nós, talvez o proverbial arquétipo do Self. E, ao mesmo tempo, nos oferecem uma experiência do todo em meio ao caos da vida diária, tornando o “círculo sagrado” uma das intervenções arteterapêuticas mais válidas tanto para o conforto da alma quanto para o encontro com si mesmo.